Wednesday, August 15, 2012

ARC, o braço jovem da RCA Italiana



Mary Di Pietro morreu em acidente de automóvel em 1967.


Roby Ferrante, autor de 'Alla mia età' e 'Ogni volta', morreu em acidente de automóvel em 1966. 


La Cricca eram as duas irmãs loiras de camisas azuis; Anna Maria Izzo, no meio junto a Enrico Ciacci, leader do grupo; mais os dois rapazes de camisas vermelhas; interpretando seu maior sucesso 'Il surf delle matoonelle'.


Anna Maria Izzo em 'Piano', versão de Sergio Bardotti para 'Where did our love go?' das Supremes.


Dino, vencedor da Festa degli Sconosciuti de 1963 e seu primeiro sucesso 'Eravamo amici', gravada por The Rokes também.


Dino, inicialmente era parte dos Kings, mas Teddy Reno o convenceu a tornar-se solo... e ele estourou.


The Rokes, conjunto inglês, foi trazido para a Italia por Teddy Reno, para acompanhar Rita Pavone em sua excursão de verão de 1963; fizeram fama tocando do Piper de Roma e 2 anos depois se tornaram sensação na Italia.


'Un' anima pura', o primeiro disco em italiano dos Rokes, que tinham um sotaque forte inglês, mas agradavam sobremaneira... talvez, justamente por isso. 







Roby Ferrante, Dino, Ivana Borgia, Oscar e Giancarlo Guardabassi... astros da Arc.


Fabrizio Capucci era casado com a belga Catherine Spaak. Foi ator principal ao lado de Rita Pavone em 'Rita la figlia americana' em 1965. 

Tuesday, August 14, 2012

Compilation albums in Italy






Lato A

1. Nico Fidenco - Con te sulla spiaggia (mogol-fidenco)
2. Jenny Luna - Chiodo scaccia chiodo (meccia)
3. Jimmy Fontana - La scommessa (chisso-reverberi)
4. La Cricca - Il surf delle mattonelle (rossi-ciacci)
5. The Latins - Caffè poco caffè (crier plus fort) (migliacci-nalpas)
6. Gianni Morandi - Se puoi uscire una domenica sola con me (guardabassi-zambrini)


Lato B

1. Edoardo Vianello - Tremarella (rossi-alicata-vianello)
2. Rosy - Un tuffo al cuore (rossi-romitelli)
3. Gastone Parigi - La mia mania (rossi-morricone)
4. Gianni Morandi - Amico Piero (migliacci-de mutiis)
5. I Flippers - La piroga (rossi-robifer)
6. Rita Pavone - Datemi un martello (I had a hammer) (hays-seeger-sergio bardotti)


As quatro musicas high-lighted in yellow são práticamente a mesma música, com acompanhamento em C, Am, G e F...

CHANTECLER-RICORDI compilation albums


A gravadora Chantecler, que começou, nos anos 1950s, como subsidiária das Lojas Cassio Muniz, se aliou à Ricordi, gigante italiana em 1958, e logo começou a lançar seus sucessos italianos no mercado brasileiro. Com o advento da 'Invasão da Musica Italiana' a partir de 1963, a Chantecler, de-repente se viu dona de um catálogo dos mais valiosos, levando 'Una lacrima sul viso' com Bobby Solo ao 1o. lugar em 1964.

Embora a RCA Victor tenha sido a gravadora que mais lucrou com o 'filão' italiano, e a Odeon também tenha se dado muito bem, a Chantecler vem logo em seguida, com uma lista imensa de lançamentos.


'Hit Parade Ricordi - Volume 1' - lançado na Italia em 1959.



'Hit Parade Ricordi - Volume 2' - lançado na Italia em 1960 - não sei exatamente quando foi lançado no Brasil. Seria 1961 ou 1962?


'Il nostro concerto' com Umberto Bindi não tocou no radio, mas teve versão na voz de Angela Maria.


Luigi Tenco com 'Quando' ainda não aparecia por aqui ainda.


'Hit Parade Ricordi - Volume 3'


'Sassi' com Gino Paoli aparece no LP da trilha-sonora de 'Candelabro Italiano' [Rome Adventure]  lançada no Brasil pela WB-Odeon; e também como lado B de 'Al di là', com Emilio Pericoli, o disco pioneiro na 'invasão italiana' em 1963. Assim mesmo a Chantecler lançou 'Sassi' nesta coletânea. 'Senza fine' com Ornella Vanoni é um classico. Sergio Endrigo, que nessa época gravava na RCA Italiana aparece com 'I tuoi vent' anni', originalmente gravada na Tavola Rotonda, aparecendo aqui por gentileza da SEFI s.p.a.


A Chantecler já lançava LPs de coletâneas, mesmo antes da musica italiana ascender ao seu pico de 1964. 


'Hit Parade Ricordi - Volume 5' - 'Quelli della mia età', com a atriz-cantora belga Catherine Spaak, é versão do mega-sucesso 'Tous les garçons et les filles' de François Hardy. 


Catherine Spaak


Note 'Stessa spiaggia, stesso mare' [grafada errôenamente na contra-capa do Volume 5] com Stelvia Ciani, que visitaria o Brasil em 1965 junto com Giancarlo Guardabassi, Mary Di Pietro, Ricardo Del Turco e outros jovens cantores italianos. Meire Pavão gravou a versão como 'Mesma praia, mesmo mar'.



'Parata d' Estate' [Parada do Verão] trazia os maiores sucessos de 1964; 'Credi a me' [Bobby Solo], 'L'esercito del surf' [Catherine Spaak] que teve versão local gravada por Wanderléa e o classico 'Siamo pagliacci' com Ornella Vanoni. 



contra-capa de 'Parata d' Estate'.


'Una lacrima sul viso' com Bobby Solo foi o maior sucesso do Festival de 1964, embora 'Non ho l' età' [aqui interpretada por Wilma Goich] tenha tido mais votos do juri.


contra-capa do LP 'Festival de San Remo '64'.



'Canzoni sulla spiaggia' [Canções na praia]


'Quello sbagliato' [Bobby Solo]; 'Non dirmi niente' [Ornella Vanoni], versão de 'Don't make me over' de Burt Bacharach; 'Ho capito che ti amo' de Luigi Tenco com Wilma Goich e 'Caldo' [Calor] com Ornella Vanoni, são os maiores sucessos dessa coletânea. 

1 9 6 6 



San Remo 66 - LP de coletânea da Chantecler com 13 músicas apresentadas no Festival pelo artista original ou não.

1966 foi, sem dúvida, o auge da musica italiana no Brasil em quantidade de lançamentos fonográficos. O crescendo de 1965 atingiu seu ápice neste ano. A Chantecler, que distribuia a Ricordi lançou essa coletânea com apenas três originais:  Bobby Solo com 'Questa volta'Ornella Vanoni com a lindíssima 'Io ti darò di più`' e Wilma Goich com 'In un fiore'.

As outras dez músicas são gravações feitas à pressa por membros do 'cast' da Ricordi para aproveitar a onda do mercado. Lucio Battisti que se tornaria um dos maiores expoentes da musica italiana nos anos 70 aparece com 'Adesso si', de Sergio Endrigo... e, surpreendentemente I Quelli cantam 'Alla buena de Dios' melhor que I Ribelli, que defenderam a música no palco do Festival.


1967


'Canzoni per le vostre vacanze' [Canções para suas férias] LP de coletânea da Ricordi, prensado aqui pela Chantecler.

A gravadora Chantecler não tinha um departamento internacional dos mais esclarecidos, senão teria, pelo menos, traduzido o título dessa coletânea, lançada na Italia em meados de 1966 e aqui no Brasil lançada em 1967. Na contra-capa está escrito: 'Canções para suas férias', que continua não fazendo sentido em nosso país tropical.

1967 marcaria o final do reino da musica italiana no Brasil, pois a pressão anglo-americana já se fazia sentir com muito vigor. Desse micro-sulco poderíamos destacar as duas músicas do conjunto 'beat' Equipe 84'Io ho in mente te', versão de 'You were on my mind' do We Five, e 'Resta', versão de 'Stay' de Maurice Williams & the Zodiacs que foi 1o. lugar em 1960. Infelizmente a Equipe 84 não teve chance de fazer sucesso no Brasil, pois os ventos estavam mudando com muita rapidêz. Assim mesmo, meu amigo Walter Tetsuo comprou o LP da Equipe 84 e passamos boas horas juntos ouvindo uma verdadeira obra-prima do cancioneiro jovem. 

Além da Equipe 84, poderíamos citar 'La casa del Signore', versão de 'Crying in the chapel' que Elvis Presley levou ao 3o. lugar da Billboard em 1965, embora ela tivesse sido gravada em 1960, tendo sido composta em 1953. Aqui é cantada pelo Bobby Solo cujo único desejo era ser o 'Elvis Presley italiano'Ornella Vanoni comparece com 'Tutta la gente del mondo', que foi tema de abertura de 'Studio Uno 1966'.  



Monday, August 13, 2012

RCA Victor coletaneas

Coletânea musical segundo a Wikipedia: uma coletânea musical é um conjunto de canções selecionadas de albuns, compactos-simples ou duplos de diversos artistas com um tema em comum. Um exemplo são LPs contendo músicas de Natal, canções de filmes, ou artistas de um determinado país como os sucessos alemães lançados pela Telefunken-Continental e Polydor no final dos anos 1950s.


Long-play com coletâneas de sucessos italianos se tornou uma atividade rendosa para as gravadoras OdeonChantecler e principalmente a RCA Victor, que a partir de 1963 lança 'Italia Moderna' e logo em seguida 'Alta Pressione'.



Este é o 'Alta Pressione' original. O LP brasileiro tem a mesma capa, mas as musicas são diferentes.


Aqui a versão brasileira do 'Alta Pressione'.

'ALTA PRESSIONE' - BBL-150 - Novembro 1963

1.  Goccia di mare (Fidenco) - Nico Fidenco
2.  Guarda come dondolo (Rossi-Vianello) - Edoardo Vianello
3.  Amore twist (Bovenzi) - Rita Pavone
4.  Se le cose stanno così (Ferzeh-Luis Enriquez) - Sergio Endrigo
5.  Ti ho conosciuto (Rossi-Dansavio) - Rosy
6.  Sole, non calare mai (Migliacci-Meccia-Umiliani) - Gianni Meccia

1.  Sapore di sale (Paoli) - Gino Paoli
2.  Se mi perderai (Fidenco-Tassoni-Fidenco) - Nico Fidenco
3.  Abbronzadissima (Rossi-Vianello) - Edoardo Vianello
4.  Stringiti alla mia mano (Fidenco-Crusca) - Miranda Martino
5.  Verrà la luna (Migliacci-Meccia-Umiliani) - Gianni Meccia
6.  So long (Rossi-Claudio-Bezzi-Arden) - Rosy

As musicas em negrito amarelo são as que tocavam nas radios de São Paulo. A música em negrito amarelo claro é a minha preferida do LP.

'Alta Pressione' foi o segundo LP de coletânea de sucessos italianos, mas foi o primeiro a ter grande vendagem. O esquema era simples: o produtor aqui em São Paulo pegava uma pilha de compacto-simples vindo da Italia, lá chamados de 45 giri, pois gravados nessa rotação, escolhia aqueles que ele achava que cairia no gosto popular do brasileiro e mandava prensar lado A e lado B. Portanto cada LP era composto de 6 compactos-simples. 'Alta Pressione' foi título de um programa para jovens produzido pela RAI-TV no final de 1962. A RCA Italiana aproveitou o nome e lançou um album de coletânea na Península. O produtor brasileiro só mudou a listagem das musicas e manteve a mesma capa.

A seleção feita aqui no Brasil ficou melhor que o original. 'Sapore di sale' é uma obra-prima de Gino Paoli sob todos os pontos de vista, e 'Se le cose stanno così', do incrível Sergio Endrigo também qualifica como obra-prima do amor negativista. Nico Fidenco em 'Se mi perderai' faz dueto com ele mesmo, uma técnica que ele usou (e abusou) em seus sucessos. Edoardo Vianello comparece com dois numeros fortíssimos; 'Guarda come dondolo', um twist irresistível, e 'Abbronzatissima', um sucesso-de-verão, com vozes e metais arranjados à la Ray Conniff... ouça e confira a mãozinha de Conniff aí. 

'Stringiti alla mia mano' é uma composição de Nico Fidenco meio celestial, que ele deu para a grande Miranda Martino interpretar. Fidenco tinha rompantes de lirismo musical muito incríveis. Compare essa com 'Ciò che rimane alla fine di un amore' do 'Gioventù' e veja que corre aí uma linha celestial... Nico tinha algo a ver com os anjos e o angelical!

Olha a Rosy e o o 45 giri incorporado no 'Alta Pressione' brasileiro.

Para terminar, deveria ressaltar a presença de Rosy, uma cantora super-competente, que não teve sorte de vôos mais altos, talvez pelo aparecimento do 'vulcão' Rita Pavone que foi arrebatando tudo em seu caminho. Rosy canta 'Ti ho conosciuto', que la Pavone também gravou em seu LP de estréia. 


'Gioventù' com capa feita no Brasil, mas seleção vinda toda da Italia, adaptada ao gosto brasileiro.

'GIOVENTÙ' - BBL-157 - Março 1964

1.  Se mi vuoi lasciare (Rosario Leva-Gian Piero Reverberi) - Michele
2.  Non è facile avere 18 anni (Andrea Bernabini) - Rita Pavone
3.  Hud (Elmer Bernstein-Fidenco) - Nico Fidenco (from Martin Ritt's 'Hud' with Paul Newman)
4.  Era d'estate (Sergio Bardotti-Endrigo) - Sergio Endrigo
5.  Domani (Paoli) - Gino Paoli
6.  I Watussi (Rossi-Vianello) - Edoardo Vianello

1.  Ciò che rimane alla fine di un amore (Fidenco) Nico Fidenco
2.  Cosa vuoi da me? (Rosario Leva-Gian Piero Reverberi) - Michele
3.  Son finite le vacanze (Pelleschi-Carlo Rossi) - Rita Pavone
4.  Annamaria (Endrigo) - Sergio Endrigo
5.  O mio Signore (Mogol-Vianello) - Edoardo Vianello
6.  Basta chiudere gli occhi (Paoli) - Gino Paoli

'Gioventù' foi, sem dúvida, o LP de coletânea mais popular lançado pela RCA. Ficou em 1o. lugar por muito tempo, competindo com 'Meus 18 anos' da Rita Pavone e 'O Fino da Bossa' da RGE. Musicas italianas tocavam no radio o dia inteiro. Parecia que, de-repente, o Brasil tinha descoberto que existia uma Italia.

A 'invasão italiana' começou em 1963, teve seu auge em 1964, continuou firme em 1965, competiu com uma pequena invasão de musica francesa em 1966, atravessou 1967, mas foi mortalmente atingida em 1968.

Nico Fidenco evitava aparecer nas capas de seus discos pois sua calvice estava em estado adiantado. Em seu lugar apareciam moças geralmente loiras. 'Ciò che rimane alla fine di un amore' (O que resta do fim de um grande amor) é, talvez, sua melhor composição e gravação.  

Estudios e fabrica de discos da RCA Italiana na Via Tiburtina, km.12 em Roma. Da Italia para o mundo!
1st March 1962.
July 1962.
areal view of Via Tiburtina, Km. 12

'VIA TIBURTINA, KM.12' - BBL-164 - Junho 1964

1.  Scrivi (Lady love) Charlie Rich; v.: Rossi - Rita Pavone
2.  Con te sulla spiaggia (Mogol-Fidenco) - Nico Fidenco
3.  Ora che sai (Endrigo-Enriquez) - Sergio Endrigo
4.  In ginocchio da te (Franco Migliacci-Bruno Zambrini) - Gianni Morandi
5.  Lei stà con te (Your other love) Claus Ogerman-Ben Raleigh; v.: Paoli-Bardotti - Gino Paoli
6.  Vieni al mare (Ronnie) Martin; v.: Mogol-Testa - La Cricca

1.  Surf delle matonelle (Rossi-Ciacci) -  La Cricca
2.  Non mi chiedi mai (Fidenco-Pedersoli) - Nico Fidenco
3.  Hully-Gully in dieci (Traditional; arrangement: Migliacci-Vianello) - Edoardo Vianello
4.  Non te ne andare (Meccia-Fontana) - Jimmy Fontana
5.  Idolo nero (Paoli-Fusco) from 1963 film 'Violenza segreta' - Gino Paoli
6.  Pel di carota (Migliacci-Morricone) - Rita Pavone

Via Tiburtina, km.12 era meu favorito LP de coletânea. 'Scrivi' com Rita Pavone era o destaque, mas  havia coisas lindas como 'Ora che sai' com Sergio Endrigo, 'In ginocchio da te' com Gianni Morandi e um conjunto de rock italiano mais louco de todos: La Cricca, cantando 'Il surf dellel mattonelle', que era um 'Datemi un martello' com anabolizante. A capa trazia uma linda foto colorida da sede da RCA Italiana, o maior e melhor estúdio de gravação do mundo. Dava água na boca!


A contra-capa de 'Via Tiburtina, km.12' trazia fotos dos astros jovens italianos e até os não-tão-jovens assim como Nico Fidenco e Gino PaoliJimmy Fontana comparecia com a linda 'Non te ne andare'.

jovem Gianni Morandi mostra o logo da RCA Italiana com orgulho em 1963.

1965 a RCA lança 'Benissimo' e 'Ti Amo'. Ambos campeões de vendagam.



'BENISSIMO' - BBL-169 - Março 1965

1.  L'amore mio (Remember me) Shelley Coburn; v.: Migliacci - Rita Pavone
2.  A casa d' Irene (Franco Maresca-Mario Pagano) - Nico Fidenco
3.  Eravamo amici (Shel Carson Combo; v.: Rossi) - Dino
4.  Se ti senti sola (Migliacci-Luis Enriquez) - Giancarlo Guardabassi
5.  Tremarella (Rossi-Alicata-Vianello) - Edoardo Vianello
6.  Il mio mondo (Paoli-Bindi) - Umberto Bindi

1.  Ti ringrazio perchè (Sergio Bardotti-G.F.Reverberi-G.P.Reverberi) -  Michele
2.  San Francesco (San Francisco de Asisi) Lake-Green-Marmion; v.: Migliacci - Rita Pavone
3.  La cabina (Rossi-Meccia) - Gianni Meccia
4.  Meglio stasera (Henry Mancini-Migliacci) - Miranda Martino - from the film 'Pink Panther'
5.  Se puoi uscire una domenica sola con me (Guardabassi-Zambrini) - Gianni Morandi
6.  E quanto tempo durerà? (Meccia-Fontana) - Jimmy Fontana

A italianada continuava dominando as paradas de sucesso no Brasil. Pelo menos 7 dessas músicas dessa seleção tocavam regularmente no radio, sendo que 'Tremarella' foi vertida e cantada por Renato & seus Blue Caps, da nascente Jovem Guarda.  'La cabina', do Gianni Meccia tocou muito, mas o maior sucesso dessa coletânea foi 'A casa d' Irene', de Nico Fidenco, que narra os arredores lúgubres de uma casa de prostituição situada perto do inferno. 'Meglio stasera' com Miranda Martino era musica de Henry Mancini com letra de Migliacci, que apareceu na trilha-sonora do filme original 'The Pink Panther' [ 'A pantera cor-de-rosa'] de Blake Edwards.


'TI AMO' - BBL-170 - Abril  1965

1.  Peccato che sia finita così (Warum nur warum?) Udo Jürgens; v.: Migliacci - Pierfilippi
2.  Il mondo (Meccia-Fontana-Pes) - Jimmy Fontana
3.  Ti amo (Calabrese-G.F. Reverberi) - Sergio Endrigo
4.  Nessun' altra che te (Mogol-Testa-Pallavicini-Renis) - Tony Renis
5.  Ballo della bussola (Zambrini-E.Ciacci-Migliacci) -  Dino
6.  Prima di vederti (G.Paoli) - Gino Paoli

1.  Dopo i giorni dell' amore (Bardotti-G.P.& G.F. Reverberi) - Michele
2.  Solamente mia (Migliacci-Zambrini) - Giancarlo Guardabassi
3.  Se non avessi più te (Migliacci-Enriquez-Zambrini) - Gianni Morandi
4.  Stasera sogno (Lina Wertmüller-Nino Rota) - Rita Pavone
5.  L'uomo che non sapeva amare (Love theme from 'The Carpetbaggers') Elmer Berstein; v.: Pallavicini-Mogol - Nico Fidenco
6.  Vivrò (Ma vie) (Barrière; v.: Paoli-Bardotti) - Alain Barrière

Embora não haja um super-sucesso nessa coletânea, nota-se que ela vendeu bem, pois se acha muito desses LPs nos sebos de São Paulo. Nota-se pela numeração, que 'Ti amo' foi lançado praticamente no mês seguinte a 'Benissimo'. Eu diria que não é uma compilação competitiva, pois, no caso de Rita Pavone, escolheram 'Stasera sogno', uma música de um LP temático dela, sem muito apelo à parada de sucesso, quando poderiam ter incluído 'Lui', muito mais ritmada e dançável. A RCA do Brasil começava a tropeçar na gerência de seu departamento italiano. Rita Pavone foi prejudicada, pois os lançamentos eram erráticos. O maior sucesso aí é 'Il lmondo', que foi p'ro 1o. lugar absoluto na parada, além de ter sido vertida e cantada por Wanderley Cardoso. Eu escolhi 'Il ballo della bussola', do jovem Dino como minha favorita, mas poderia muito bem ter sido 'Se non avessi più te', uma melodia tão linda que dói; uma obra prima do maestro Ennio Morricone na regência e Luis Enriquez na composição.

Em 1966 a RCA lança 3 coletâneas:  'Cantagiro', '...E più ti amo' e 'Fortissimo'.


'CANTAGIRO' - BBL-173 - Junho 1965

1.  M' hanno detto che (Del Turco-Meccia-Endrigo) - Riccardo Del Turco
2.  La prima festa che darò (Specchia-Grelbin-Carrére) - Rosy
3.  Sulla terra ho solo te (Migliacci-Gian Claudio Mantovani) - Giancarlo Guardabassi
4.  Sono un ragazzo (Rossi-Robifer) - Roby Ferrante
5.  Tutto l'amore del mondo (Migliacci-Enriquez) - Rosy
6.  Il mio mondo (Paoli-Bindi) - Umberto Bindi

1.  Un tuffo al cuore (Rossi-Romitelli) -  Rosy
2.  Dimmi se vuoi (Del Turco-Enriquez) - Riccardo Del Turco
3.  Non ti ricordi più (Bardotti-A. Trovaioli) - Roby Ferrante
4.  Sulamente 'a mia (Migliacci-Zambrini) - Giancarlo Guardabassi
5.  Tu sei sempre (Rossi-Robifer) - Roby Ferrante
6.  Da' retta a me (Migliacci-Gian Claudio Mantovani) - Giancarlos Guardabassi

'Cantagiro' poderia ser chamado de 'experimental', já que excetuando Umberto Bindi com 'Il mio mondo', (já tinha aparecido um ano antes no 'Benissimo'), todos eram cantores iniciantes, ou pouco conhecidos. O nome 'Cantagiro' é enganador, pois Cantagiro era uma competição entre cantores que giravam a Italia em caravana dirigindo seus próprios carros durante parte de julho e agôsto. Não sei quem teve a idéia de chamar o LP de 'Cantagiro', já que nenhum desses cantores se destacaram nessa competição de três gradações: o 'Girone A' para 'estrêlas' tipo Pavone, Morandi, Michele; o 'Girone B' para iniciantes e o 'Girone C' para conjuntos 'beat' (a partir de 1966).  

Apesar de ser o LP de menor sucesso, excetuando, talvez "Italia moderna', não deixa de ter suas qualidades. Riccardo Del Turco começa o disco com 'M' hanno detto che', uma balada muito bonita, composta por Sergio Endrigo, entre outros. Rosy é, na verdade, a estrelinha desse micro-sulco, cantando três faixas, incluindo 'Un tuffo al cuore', minha preferida aí. Rosy tinha tudo p'ra dar certo, mas não conseguiu competir com Rita Pavone, e acabou 'morrendo na praia'. Era ótima cantora.

Roby Ferrante, chamado na Italia de 'Paul Anka italiano' era compositor de mão-cheia, tendo feito 'Alla mia età' para Rita Pavone e 'Ogni volta', que ele e Paul Anka defenderam no Festival di San Remo de 1964. Ferrante participou do 'Alta Pressione' italiano, mas nunca conseguiu 'estourar' nas paradas. Acabou morrendo, prematuramente, num acidente de carro numa estrada da Península. Ele comparece em três faixas aqui.

E, finalmente, Giancarlo Guardabassi, que aparece em outras três faixas, incluindo duas cantadas em napolitanoGuardabassi e Del Turco foram os únicos dessa lista a se apresentarem no Teatro Record de São Paulo em 1965, numa tournee de 3 cantores e 3 cantoras jovens pouco conhecidos, aproveitando a onda da musica italiana então. O maior sucesso de Guardabassi foi 'Se ti senti sola', ('Benissimo').  


Que vexâme a RCA do Brasil fêz! Pegou a capa do 2o. LP de Michele e o transformou na coletânea '... E più ti amo'! A RCA, que desde 'Gioventù' produzia capas aqui com modelos brasileiros, ficou com preguiça e reverteu ao antigo macete de adaptar aqui e cortar alí, que seria o atual 'copiar & colar'! Che vergogna!


'... E PIÙ TI AMO' - BBL-191 - Outubro 1965

1. Tu non mi lascerai (Galdieri-D'Anzi) - Nico Fidenco
2.  Supercalifragilistic-espiralidoso (R.M. & R.B. Sherman; v.: Amurri-Pertitas) - Rita Pavone
3.  Sarei felice (Sestili-Mazza) - Gianni Mazza
4.  Ti senti sola stasera (Are you lonesome tonight?) Turk-Handman; v.: Misselvia  - Michele
5.  Parlami di te  (Pallavicini-Vianello) -  Edoardo Vianello
6.  ... E più ti amo (Plus je t'entends) Barrière; v.: Paoli - Alain Barrière

1.  Si fa sera (Amurri-De Martino) - Gianni Morandi
2.  Le cose più importanti (Bardotti-Dansavio) - Gianni Mazza
3.  C'è una strana espressione nei tuoi occhi (When you walk in the room) DeShannon; v.: D.Shapiro - The Rokes
4.  Plip (Migliacci-Mantovani-Meccia) - Rita Pavone
5.  Quatro stagioni per non amarti (Camucia-Sentieri) - Alain Barrière
6.  Pensiamoci ogni sera (Boncompagni-Fontana-Pes) - Jimmy Fontana

O terceiro LP de coletânea do ano de 1965 não é um dos melhores tampouco. 65 não foi um ano auspicioso para a RCA Victor. O maior sucesso aí foi 'Si fa sera' com Gianni Morandi. O canção-título, '... E più ti amo', vertida por Gino Paoli do francê 'Plus je t'entends', um dos maiores sucessos de Alain Barrière tocou muito no radio, tendo tido versões com Agnaldo Rayol [A tua voz] e The Clevers [A tua voz]. Note que Alain Barrière cantas bem o italiano, e cá entre nós, a orquestração italiana ficou melhor que o original francês. Os italianos tinham um toque especial.

'Parlami di te', que Edoardo Vianello apresentou em San Remo em 1965 junto com Françoise Hardy é a melhor musica do disco. O conjunto inglês The Rokes, que Teddy Reno trouxe para a Italia em 1963, finalmente começa a fazer sucesso lá e também aqui, com 'C'è una strana espressione nei tuoi occhi', versão de 'When you walk in the room', hit da Jackie DeShannon com The Searchers.

Rita Pavone vem com dois 'abacaxis'; a versão italiana da musica mais imbecil da trilha-sonora de 'Mary Poppins'. Pavone começou a tropeçar em sua carreira com esse horror chamado 'Supercalifragilistic-espiralidoso', que foi, infelizmente,vertida para o português e cantada pela Denise Barreto, que tentava emplacar na Jovem Guarda. Coitada da Denise; com um abacaxi desses ela não teria muitas chances. 'Plip', a segunda contribuição de Pavone não é tão ruim, mas chega perto. Enfim, Pavone deixou o rock'n'roll para se afogar num mar de lama de mediocridade pseudo-infantil.

Michele, um cantor que sempre imitou Elvis Presley, resolveu 'tirar a máscara' e cantar 'Ti senti sola stasera', versão italiana de 'Are you lonesome tonight?'. Fez sucesso lá, mas aqui ninguem tocou, ninguem ouviu. Roubaram a capa do 2o. LP de Michele, e escolheram uma musica dele que poderia ser melhor. Aliás, Michele, como la Pavone, apresentava sinais de derrapagem na pista do sucesso. 

Por fim, aparece Gianni Mazza, um valor novo cantando direitinho duas baladas bonitas e melodiosas, embora para bem da verdade tenho que dizer que eu achei 'Sarei felice' uma cópia quase que completa de 'Ciò che rimane alla fine di un amore', de Nico Fidenco [vide 'Gioventù']. Mazza praticamente canta a mesma melodia, com acompanhamento orquestral semelhante, apenas subindo de tom duas vêzes e não desembocando no final apoteótico do Fidenco. Para aqueles que gostam de descobrir plágios, é um prato cheio.

Nota: a partir de '... E più ti amo', aparecem nas contra-capas das coletâneas o nome de Henrique Gastaldello, produtor da RCA Victor do Brasil.  

Em 1966 a RCA lança apenas uma coletânea: 'Fortissimo'.


'FORTISSIMO' - BBL- 198 - Abril 1966

1.  Fortissimo - Rita Pavone
2.  Ascolta nel vento [The wind will carry them by] - The Rokes
3.  Lontano, lontano - Luigi Tenco
4.  Ora tocca a te - Edoardo Vianello
5.  Mi vedrai tornare - Gianni Morandi
6.  File d' automobile - Nico Fidenco
7.  Il geghegè - Rita Pavone

1.  Notte di Ferragosto - Gianni Morandi
2.  La notte che son partito - Jimmy Fontana
3.  Che cos'è l'amore? - Nico Fidenco
4.  La sai troppo lunga - Rita Pavone
5.  Ci sono cose più grandi - Tony Renis
6.  Che colpa abbiamo noi? [Sheryl's going home] - The Rokes
7.  La fisarmonica - Gianni Morandi

'Fortissimo' teve a distinção de resgatar Rita Pavone da lama da mediocridade depois daqueles horrores. 'Fortissimo', talvez  seja seu sucesso mais bonito, competindo forte com 'Cuore'. Em 1966 Rita voltou à toda na Italia, mas por aqui ela estava sendo esquecida aos poucos. Em 1967 seria lançado aqui o filme 'O Mosquito' [La Zanzara], que traria o nome de Rita de volta às mentes brasileiras, mas em 1966,  'Fortissimo' quase passou batido, mesmo sendo uma obra-prima.

Nota-se pela falta de 'negritos' aí, que os sucessos italianos já não tocavam nas radios como antigamente. Provavelmente por causa do advento da Jovem Guarda a partir de 22 de agosto de 1965. Mesmo assim as coletâneas continuavam a vender bem. Eu, por exemplo comprava todas, sendo um aficionado italiano inveterado.

Nico Fidenco estava cada vez mais apagado. Edoardo Vianello não lançava mais nada extraordinário. Gino Paoli tinha se mudado p'ra RicordiSergio Endrigo tinha ido p'ra Cetra.

The Rokes era a grande novidade. Eu gostava do som metálico de suas guitarras e a maneira alta de cantar. 'Ascolta nel vento' é muito linda, versão de 'The wind will carry them by', composição deles mesmo. 'Che colpa abbiamo noi?' uma versão de 'Sheryl's going home' do norte-americano Bob Lind ficou muito incrível em italiano, dando-lhe um toque de rebeldia que não havia no original. Os jovens italianos idolatravam The Rokes, mas aqui quem fazia suscesso era Renato & seus Blue Caps.

Luigi Tenco era recem-contratado da RCA Italiana, mas 'Lontano, lontano' [Longe, longe] não era empolgante no melhor sentido da musica italiana que sempre foi exuberante. Tenco era meio depressivo; dá para notar pelo título da musica!

Em 1967 é a vez de 'Fortissimo Volume II'...


'FORTISSIMO -Volume 2' - BBL-202 - Março 1967

1.  Quando dico che ti amo - Tony Renis
2.  L'amore se ne và - Carmelo Pagano
3.  C'era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones - Gianni Morandi
4.  Dove non so [Lara's Theme] - Rita Pavone
5.  Bisogna saper perdere - Lucio Dalla
6.  Nasce una vita - Jimmy Fontana

1.  Piangi con me - The Rokes
2.  Guantanamera - Jimmy Fontana
3.  La ragazza di Liverpool - Tony Renis
4.  Questa volta - Carmelo Pagano
5.  Se perdo anche te (Solitary man) - Gianni Morandi
6.  Ciao amore ciao - Luigi Tenco

 É incrivel que ao fazer essa resenha eu consigo ver nítidamente o início, meio e fim da Invasão Italiana no Brasil. Os altos e baixos dos italianos em nossa parada de sucesso. Esse 'Fortissimo - Volume 2' é uma radiografia do que acontecia naquele tempo. Foi o último LP de coletâneas que eu comprei. Por que da decadência dos italianos entre nós?  Primeiro foi a Jovem Guarda que a partir de agosto de 1965 era um ímã para os adolescentes que antes comprariam Rita Pavone e ou Edoardo Vianello. A Invasão da Musica Anglo-Americana foi a segunda razão... foi o prego final no caixão da Musica Italiana no Brasil.

Já no final de 1967, mas principalmente a partir de 1968, a musica anglo-americana estava começando a dominar nossas paradas. A Radio Difusora começou a tocar

'Fortissimo-Volume 2' foi o ultimo LP de coletâneas que eu comprei em Abril de 1967. Coincidiu com a decadência da musica italiana no Brasil. A melhor faixa do disco é 'Ciao amore ciao', a despedida de Luigi Tenco antes de dar um tiro na cabeça. Parece que a musica italiana morreu junto com o Luigi Tenco naquela fria manhã de inverno em fevereiro de 1967 em San Remo. The Rokes com 'Piangi con te' foi a que mais tocou nas radios brasileiras.


A partir de 1968 a musica italiana já mostrava sinais de esgotamente entre o público brasileiro, que estava sendo bombardeado de músicas norte-americanas, com a implantação de duas emissoras que tocavam somente musicas em inglês: Radio Excelsior e Radio Difusora.


Caixa de inúmeros LPs lançados pela RCA Victor em parceria com a Readers' Digest em 1966.


Note que os LPs eram apresentados em versões Mono e Stereo, mesmo que fossem o mesmo som nos dois canais.


O leitor escolhia seus 10 LPs favoritos, que vinham em caixa com essa ilustração.


Nessa coletânea a RCA Victor só escolheu os sucessos que realmente tocaram nas radios brasileiras.



'SUCESSOS DE NOSSOS DIAS' - BMIS-7 - 1966 da coleção 'LA BELLA MUSICA ITALIANA'

1. Domani - Gino Paoli
2. Ti ringrazio perchè - Michele
3. Un uomo che ti ama - Umberto Bindi
4. A casa d' Irene - Nico Fidenco
5. Meglio stasera - Miranda Martino
6. Se puoi uscire una domenica sola con me - Gianni Morandi

1. Il mondo - Jimmy Fontana
2. O mio Signore - Edoardo Vianello
3. Annamaria - Sergio Endrigo
4. Sul cucuzzolo - Rita Pavone
5. La cabina - Gianni Meccia
6. Se ti senti sola - Giancarlo Guardabassi